Sempre curti aqueles tropas que parecem estar “a cagar-se” para tudo, mas nunca perdem a qualidade. Joint One encaixa exatamente nesse perfil. Não é só pelas dicas nasty — é pela confiança absoluta, uma despreocupação natural de quem sabe que, mesmo com os olhos do mundo sobre ele, não vacila. “Não tenho puta da mania, tenho a puta da atitude”. Com a “mania do CR7” é o tipo de rapper que se sente tão à vontade no mic como nas ruas. “Se o rap não desse, eu tava na esquina a causar o pânico“.
Num compasso adagio, surge Yung Juse, aquele tropa que parece flutuar numa nuvem de fumo no seu “Bangalow”. Um anti-herói com os olhos meio cerrados e uma atitude blasé que mistura tranquilidade e certeza, como se já soubesse que vai deixar a sua marca. — “Eu amo a cultura, eu amo cash, Safoda a cultura se ela não me quiser, No fim do dia eu vou buscar o meu bag”. Um cara podre capaz das dicas mais improváveis e ao mesmo tempo mais eficazes.
Juntos, eles dão vida a PORTOBOYZMAFIA, um musical de gunas marcado pela despreocupação. Um encontro com demónios, um brinde com os bros, e uma “sinfonia à bairro” sem máscaras ou alter egos. “Rappers todos falsos, eu não falo com hetеrónimos”. É um estilo que parece safoda, mas é estrategicamente polido, onde as vivências reais e a técnica se encontram para criar algo único — ou, como eles dizem, uma “Cena Estética.”
Por norma, quando falamos de rap, o foco vai para wordplay, knowledge, métrica. Mas a verdade é que há toda uma vertente estratégica de que poucos falam: a capacidade de orquestrar flows, encaixar punchlines, escolher beats e estruturar faixas . Não é só atirar rimas ao ar; é saber aplicar fórmulas que funcionam e, quando já as dominam, subvertê-las. “Eu disse a toda a gente: Não é talento, é técnica”. E PORTOBOYZMAFIA leva isso ao limite: cada faixa é uma jogada tática, um statement, onde tanto as vivências da rua como as referências pop ganham protagonismo.
E por falar em referências, o zeitgeist tuga está bem rico. Curto quando rappers dropam aquelas barras que piscam o olho à nossa pop culture. Pode parecer algo pequeno, mas também sou um gajo simples. E quando alguém solta uma referência ao Wuant, SofiaBBeauty ou Chentric, bate-me. “Safo money gordo igual ao Wuant e o Chentric, super esplêndido”. É aquela conexão instantânea, tipo uma meme punchline que deixa claro: estamos na mesma wave. Essa mescla de conhecimento técnico, feeling de rua e toques de cultura pop faz com que as faixas de PORTOBOYZMAFIA atinjam um equilíbrio perfeito entre a crueza do underground e a leveza do mainstream — com as participações de Chico da Tina e David Bruno a reforçarem essa estética.
No fundo, é uma combinação rara do online e offline, do real e do virtual, de individualidade e bairrismo. Confissões, histórias e convicções de rua em cima de batidas que tanto te fazem abrir a roda como refletir. Depois de “um single de platina dentro do cubico”, Joint One e Yung Juse apresentam PORTOBOYZMAFIA: um musical de gunas onde as ruas são partituras de uma obra que mostra que, quando talento encontra técnica, o resultado é puro clássico — e eles sabem disso.